Saúde Coletiva - 4º semestre
Um pouco da história da visita domiciliária no Brasil
No inicio da Tutoria IV, entre os materiais
disponibilizados para estudos, recebemos um interessante artigo escrito por
Edirlei Machado dos Santos e Débora Isane Ratner Kirschbaum sobre " A
trajetória histórica da visita domiciliária no Brasil"1.
O texto, que é uma revisão bibliográfica nos
informa que:
A visita domiciliária no Brasil teve como
marco inicial, um artigo publicado em 15 de outubro de 1919 pelo "O
Jornal", no qual o Dr. J. P. Fontelle abordava a educação sanitária e a
real necessidade da formação de enfermeiras visitadoras, sugerindo já naquela
época, a criação deste serviço que tinha como objetivo a prevenção.
No ano de 1921, Carlos Chagas traz ao Rio de
Janeiro um grupo de enfermeiras americanas com a finalidade de desenvolver um
curso para treinamento de visitadoras que deveriam prestar a assistência nos
domicílios. Este curso se transformou, alguns anos depois, na Escola de
Enfermagem Ana Nery.
Em 1942, resultado de um convênio entre o
governo norte americano e o brasileiro, foi criado o Serviço Especial de Saúde
Pública (SESP). O SESP, por sua vez,
criou o curso de visitadoras sanitárias, instituído com o propósito de treinar
pessoal para exercer atividades de
saúde pública nos domicílios e nos Postos de Higiene, estabelecidos e mantidos
pelo SESP no Programa da Amazônia. Este serviço foi expandido para mais 12
estados brasileiros. A maioria nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. Também
nesta época, para melhorar as condições das habitações os agentes do SESP
sugeriram para o interior da casa, o reboco das paredes, a colocação de pisos,
a melhoria da cobertura da casa, melhoria das condições de iluminação e
ventilação pelo aumento do pé direito e pelo aumento das dimensões das janelas.
Nas décadas de 50 a 70, a visita domiciliária,
como serviço de prestação de assistência à saúde das pessoas, não se destacou,
devido ao contexto político, econômico e ideológico que contribuía para este
cenário onde o sistema de saúde era perverso, considerando que saúde naquele
momento histórico ainda não era direito de todos nem ao menos dever do Estado.
Criado em 1953 o Ministério da Saúde, embora
seja um marco importante para os serviços de saúde no Brasil, não conseguiu na
época melhorar o acesso aos serviços de saúde. A situação piorou com o golpe
militar da década de 60 onde, devido ao descaso e despreocupação dos
governantes, grandes epidemias voltaram a atingir o país.
No final dos anos 70 e início dos anos 80 com
o agravamento das carências sociais, e a consequente inquietação popular,
principalmente nos grandes centros urbanos, surgiram vários movimentos
reivindicatórios, dando início ao Movimento da Reforma Sanitária que buscava
garantir uma assistência universal, integral e equânime para toda população
brasileira.
Em 1990 é fundado o SUS e logo após, em 1991
nasce o Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) para assistir aos
usuários do SUS de forma mais organizada e próxima.
E o texto nos faz ver que nos serviços de
saúde de hoje, principalmente no PSF, é possível perceber características das
visitas domiciliares do início do século passado.
A visita domiciliária nos serviços de saúde no
Brasil, atualmente é empregada em larga escala, como instrumento de trabalho
dos trabalhadores das equipes do PSF.
Referência:
1A trajetória histórica da visita
domiciliária no Brasil: uma revisão bibliográfica, Revista Eletrônica de
Enfermagem. 2008;10(1):220-227. Encontrável em: http://www.fen.ufg.br/revista/v10/n1/v10n1a20.htm
Roberto, gostaríamos de ter visto uma interação maior tua com o curso e as UPPs que estás realizando. Poderias ter trazido reflexões sobre o vídeo que postaste, as diversas discussões que tivemos na Tutoria e o que mais te chamou atenção nas UPPs que cursaste este semestre. Boas férias, bjs, Adriana e Marilise.
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